23 julho 2007

Isto é aquilo # 1

espaçI

o fácil o fóssil
o míssil o físsil
a arte o enfarte
o ocre o canopo
a urna o farniente
a foice o fascículo
a lex o judex
o maiô o avô
a ave o mocotó
o só o sambaqui


espaçII
o gás o nefas
o muro a rêmora
a suicida o cibo
a litotes Aristóteles
a paz o pus
o licantropo o liceu
o flit o flato
a víbora o heléboro
o êmbolo o bolo
o boliche o relincho


espaçIII
o istmo o espasmo
o ditirambo o cachimbo
a cutícula o ventríloquo
a lágrima o magma
o chumbo o nelumbo
a fórmica a fúcsia
o bilro o pintassilgo
o malte o gerifalte
o crime o aneurisma
a tâmara a Câmara

[...]

Carlos Drummond de Andrade, Lição de coisas, em Poesia completa, Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2002, pp. 500-501.


níngua

morre
poeta chinfrim
xinga
a langue língua do sim
gueto dos guetos
preto dos pretos
xinxim latim
chocho xixi
muxoxo coxo
atchim caím
do poeta à míngua
morre
e te vinga
espaço
go on
gonga
a fácil fala fluente
lenga lenga
cupim cetim
que te dói
e te deixa doente
como um dente
ou rim
ruim
espaço
sim
singra
até o sem
sangra
até o fim
songa
até o spin
para ninguém
gago g
orgulho impotente
do poeta
poente
espaço
linga
estilinga
deslíngua
des
mil
íngua
espaço
enfiteusa
ecfonema eczema
enfisema estilema apotegma
zeugma estigma enigma
catacumba tatua catinga
até que se entanga
até que se extinga
até que se
íngua
espaço
in
ne
nim
níngua
espaço
Augusto de Campos, Despoesia, São Paulo: Perspectiva. 1994, p. 127.

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