Quando a natureza torna-se paisagem – em oposição, por exemplo, à vida inconsciente do camponês na natureza –, o imediatismo artístico vivenciado na paisagem, que evidentemente passou por muitas mediações, pressupõe nesse caso uma distância espacial entre o observador e a paisagem. O observador está fora dela, do contrário seria impossível que a natureza se tornasse uma paisagem para ele. Se ele tentasse integrar a si mesmo e a natureza que o envolve imediatamente e espacialmente na “natureza como paisagem”, sem sair desse imediatismo contemplativo e estético, logo ficaria claro que a paisagem começa a ser paisagem apenas a partir de uma distância determinada (embora variável) em relação ao observador, e que este só pode ter com a natureza essa relação de paisagem como observador espacialmente separado.
Georg Lukács, História e consciência de classe. Estudos sobre a dialética marxista, trad. Rodnei Nascimento, São Paulo: Martins Fontes, 2003, p. 323.
The desert reduces you to yourself.
Marina Abramovic, em Marina Abramovic e Germano Celant, Public Body. Installations and Objects, 1965-2001, Milano: Charta, 2001, p. 184.
26 julho 2007
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