Excertos de
Cultura e valor, trad. Jorge Mendes, Lisboa: Edições 70, 1996:
"O livro está cheio de vida - não como um homem, mas como um formigueiro." [p. 95]
"Onde os outros avançam, fico eu parado." [p. 99]
"Lutamos com a linguagem.
Estamos envolvidos numa luta com a linguagem." [p. 27; cf. "O lutador", de Drummond]
"Os sonhos de um homem praticamente nunca se realizam." [p. 86]
"Se na vida estamos rodeados pela morte, também na saúde do nosso intelecto estamos rodeados pela loucura." [p. 70]
"Se as pessoas não fizessem por vezes coisas disparatadas, nada de inteligente alguma vez se faria." [p. 79]
"Se ofereceres um sacrifício e com ele te sentires satisfeito, tanto tu como o teu sacrifício serão amaldiçoados." [p. 45]
"A tragédia encontra-se onde a árvore, em vez de se dobrar, se quebra." [p. 14; cf. idem, p. 79 (o touro como herói trágico) e
passim (considerações inúmeras sobre trágico e tragédia)]
"Talvez um dia esta civilização produza uma cultura." [p. 97]
"As obras dos grandes mestres são sóis que nascem e se põem à nossa volta. Virá uma altura em que cada uma das grandes obras que estão a declinar de novo se erguerá." [p. 32]
"Um dos métodos mais importantes por mim utilizados é o de imaginar um desenvolvimento histórico das nossas idéias, diferente do que de fato ocorreu. Se o fizermos, vemos o problema de um ângulo completamente novo." [p. 62]
"Quando filosofas, tens de descer ao caos primordial e sentires-te aí como em casa." [p. 98]
"Quem ouve uma criança a chorar e compreende o que ouve saberá que aí dormitam forças anímicas, forças terríveis, diferentes do que geralmente se supõe. Raiva profunda, sofrimento e ânsia de destruição." [p. 14]
"Os horrores do inferno podem ser experimentados num único dia; é tempo de sobra." [p. 46]