Apenas quando o pensamento se manifesta como forma de realidade, como fator do processo total é que pode superar dialeticamente a própria rigidez e assumir o caráter de um devir. [...] o devir é [...] a mediação entre passado e futuro. Mas é a mediação entre o passado concreto, isto é, histórico, e o futuro igualmente concreto, isto é, também histórico. O aqui e agora concreto, em que o devir se dissolve em processo, não é mais um instante contínuo e intangível, o imediatismo fluente, mas o momento da mediação mais profunda e mais amplamente ramificada, o momento da decisão, do nascimento do novo. Enquanto o homem orientar seu interesse para o passado ou para o futuro de maneira contemplativa e intuitiva, ambos se fixam num ser estranho, e entre o sujeito e o objeto instala-se o “espaço nocivo” e intransponível do presente. Somente quando o homem é capaz de compreender o presente como devir, reconhecendo nele aquelas tendências, cuja oposição dialética lhe permite criar o futuro, é que o presente, o presente como devir, torna-se o seu presente. Apenas quem tem a vocação e a vontade de criar o futuro consegue ver a verdade concreta do presente.
Georg Lukács, História e consciência de classe. Estudos sobre a dialética marxista, trad. Rodnei Nascimento, São Paulo: Martins Fontes, 2003, pp. 402-403.
26 julho 2007
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Um comentário:
Instituto Stigger-Sterzi,
este blog é o máximo, bem à altura de vocês -- o que, neste caso, é um arranha-céu! Continuem! Abraço,
Tarso
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